sábado, 29 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de abril de 2017
SONETO PARA BOCAGE
SONETO PARA BOCAGE
Que sabes tu de mim, rosto sereno,
mão armada de cálamo, chinelo
diante do pé lanhado e não pequeno,
em tudo a imagem de polichinelo?
Que sabes do que sou, profundo anelo,
sempre avesso ao teu lodo, embora ameno
ou pálido me adentro em teu castelo
e bebo do teu vinho e teu veneno?
Que sabes deste outro que procuro,
Se reverbero enquanto te consomes,
e entre nós se levanta um novo muro?
Fardo que me aprisiona, quem imagina
ser um monstro fugaz, com tantos nomes
a fera em que me escondo e me assassina?
Que sabes tu de mim, rosto sereno,
mão armada de cálamo, chinelo
diante do pé lanhado e não pequeno,
em tudo a imagem de polichinelo?
Que sabes do que sou, profundo anelo,
sempre avesso ao teu lodo, embora ameno
ou pálido me adentro em teu castelo
e bebo do teu vinho e teu veneno?
Que sabes deste outro que procuro,
Se reverbero enquanto te consomes,
e entre nós se levanta um novo muro?
Fardo que me aprisiona, quem imagina
ser um monstro fugaz, com tantos nomes
a fera em que me escondo e me assassina?
quarta-feira, 22 de março de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
Jorge Tufic (1930-) - O grande Poeta brasileiro que habita o Ceará
Jorge Tufic (1930-) - O grande Poeta brasileiro que habita o Ceará
Jorge Tufic, um dos melhores nomes da nossa poesia!
O SUBSOLO
Legiões de minúsculos roedores
descobrem meus poemas.
Cevam-se deles.
Uma colônia de tropos
um arsenal de elegias
um supermercado de haicais,
dividem agora os cupins
em várias e desconexas
correntes de solidão.
Legiões de minúsculos roedores
descobrem meus poemas.
Cevam-se deles.
Uma colônia de tropos
um arsenal de elegias
um supermercado de haicais,
dividem agora os cupins
em várias e desconexas
correntes de solidão.
Nenhum manuscrito foi poupado.
Nos restantes da broca
o desenho da fome,
as marcas do escuro,
a doce fúria branca.
Tinta, mofo, papel, palavras
espaço mecânico,
abismos pensados,
metáforas roucas,
danaram-se então para longe,
sob o terror organizado
que liberta os signos cativos.
Nos restantes da broca
o desenho da fome,
as marcas do escuro,
a doce fúria branca.
Tinta, mofo, papel, palavras
espaço mecânico,
abismos pensados,
metáforas roucas,
danaram-se então para longe,
sob o terror organizado
que liberta os signos cativos.
Poema de Jorge Tufic
Minuta de Diego Mendes Sousa
ESTALITOS
PARA DIEGO MENDES SOUSA
Estamos sentados
num trono de palavras
– que já perdem seu ouro
de tão ferrugentas.
Ao saberem disso,
alguns verberam contra
a sintaxe do osso
e a flauta das
coisas breves
e do grito sumário.
Fazer o quê, poetas?
Restaremos juntos
na mesma ciranda;
enquanto o bosque,
o amor e a rosa
foram dar um passeio.
POEMA DE JORGE TUFIC dedicado a DIEGO MENDES SOUSA
domingo, 22 de janeiro de 2017
O SONETO PARA CHE GUEVARA DE JORGE TUFIC
O SONETO PARA CHE GUEVARA DE JORGE TUFIC
ROGEL SAMUEL
O primeiro verso assim canta: “Crepita
em teu boné teimosa estrela”. E é interessante este verso, e é interessante perceber
desde logo, desde este primeiro verso o “crepitar” das armas, crepitar que é o
estalar de metralhadoras, elas que crepitam nesses sons crepitantes:
“CRE- PI- TA em TEU boné TEImosa
esTREla”.
Ali onde, naquela teimosa estrela, não
se vê a intenção rebelde, a intenção revolucionária, a teimosia poética (a
revolução é sempre uma utopia poética, uma licença poética armada, um ideal
inscrito em versos “sobre as chagas da terra”).
Mas aquela estrela projeta, sobre a
América Latina, um rumo, uma luz, um código, a estrada escancarada da
libertação, a escancarada esperança de vitória.
Pois o poema diz:
Crepita em teu boné teimosa estrela
da qual nada se vê do que projeta
- e pois Guevara – o poeta
revolucionário sonhador - trazia a direção na sua testa, na sua estrela, no seu
caminhar, no nseu destino estelar – aquela estranha estrada projeta um projétil
balístico, como uma bala, como uma balsa, ou um ideal, ou um corpo de idéias
arremessado ao jogo do futuro, o seu boné militar, onde a estrela brilha, é o
símbolo de um poeta que um dia chegou a vê-la, chegou a tê-la, como não o puderam
ter o camponeses “na escassez de seu vislumbre”:
Só os camponeses que puderam tê-la
na escassez de um vislumbre, em noite
quieta,
foram dar-te um cabrito; e a fogo e
seta
molhada na esperança, enfim retê-la.
O soneto projeta uma luz sobre o futuro
da América, o fogo, a seta “molhada na esperança”, o crepitar da bandeira, das
chamas que iluminaram a escuridão.
O soneto é um retrato dinâmico daquele
jovem sonhador, daquele poeta armado, cujas ideias projetaram sobre nós, até
hoje, suas luminosidades.
O soneto é o pórtico da manifestação do
porvir, seu manifesto. E faz de cada camponês um herói, um porta-voz:
Camponeses e bravos, Serra acima,
entre andantes e alegros, logo anima
saber que cada um vale por mil.
Foram dias sofridos, aqueles, foram
andanças e pujanças, robustez, força e vigor sobre aqueles campos floridos e a
serra, coberta de hera, contou os dias sofridos, muito de flores e de lutas,
quando Guevara sonhava com rosas em seus fuzis.
Quando eu era jovem, um dia pernoitei
numa casa que (dizem) serviu de abrigo a Che Guevara nas suas andanças por
entre nós.
SONETO PARA CHE GUEVARA
Jorge Tufic
Crepita em teu boné teimosa estrela
da qual nada se vê do que projeta
sobre as chagas da terra onde um poeta,
de repente, a lutar, chegou a vê-la.
Só os camponeses que puderam tê-la
na escassez de um vislumbre, em noite
quieta,
foram dar-te um cabrito; e a fogo e
seta
molhada na esperança, enfim retê-la.
Camponeses e bravos, Serra acima,
entre andantes e alegros, logo anima
saber que cada um vale por mil.
Foram dias contados e sofridos.
Pesar de tudo os campos tão floridos?
Chega de rosas, vamos ao fuzil.
(In: Dueto para sopro e corda)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
UM SONETO AO SONETO
UM SONETO AO SONETO
para Virgílio Maia
O sol dentro de um ovo: este milagre
tomou forma de barco. E já navega
desde Petrarca ao meu jeitão de brega,
mas encontra entre nós quem o consagre.
Neste garimpo, salivando o agre
desamor pelos campos, faca cega,
o construtor de andaimes não sossega
nem troca o vinho pelo bom vinagre.
Bocage empluma os dedos com suas glosas,
Jorge de Lima extrai-se do cansaço
que fizera de ti um caixão de rosas.
Mas és, soneto, ainda o velho laço
que embora preso a leis tão rigorosas,
a tudo nos obriga em curto espaço.
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