segunda-feira, 20 de maio de 2013

O CRISTO DE SARAMAGO


O CRISTO DE SARAMAGO
A rede, sim, transluz-se e colhe o peixe.
A terra é sangue, inútil proteção
ao cordeiro aflitivo – que se o deixe
manumisso da horrível sagração.

A tempestade, o mar, o rubro feixe
se azula em mim nos touros de um clarão...
Ventos, parai! Que o mundo não se queixe
dessa fúria de Deus em minha mão.

Que são curas, milagres como o vinho,
meus pássaros de areia, o gesto santo
no adiar-se a vida para mais caminho?

Uma simples mulher curou-me, um dia,
das chagas com suas lágrimas; e o quanto
dera-me alívio à cruz donde eu pendia.


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